Casa de Oxum

Home

A Casa

Seu Zelador

Umbanda

Calendário

Informativo

Orixás

Fotos

Localização

Contatos

 

A UMBANDA

A Umbanda, religião brasileira do século XX, formou-se a partir dos cultos africanos modificados pelas influências indígena, espírita ocultista européia e, por último, pela filosofia oriental.

Etapas históricas e causas do sincretismo

Primeira etapa: africana

Os cultos africanos – passo inicial da formação da Umbanda – foram extremamente influenciados pelos povos que dominaram a África desde 900 a.C. Os egípcios, indianos, cartagineses, romanos, vândalos, bizantinos, árabes, turcos, entre outros, deixaram marcas de sua influência nos chamados “puros” cultos africanos. O turbante, o pano da costa e a figa, de origens indiana, árabe e turca, respectivamente, são sinais lógicos da presença desses povos dominadores na Umbanda.

Segunda etapa: escravatura no Brasil (1530 a 1888)

No Brasil, a Umbanda teve início por volta de 1530. Com a escravatura desordenada e em massa e a diversidade de cultos, nações e línguas de negros africanos, houve uma mistura de concepções religiosas.

Como fatores marcantes dessa etapa podemos citar:

● a mistura de cultos de Angola, Congo, banto, nagô, queto, malê etc.;

● a falta de mestres de culto entre os escravos;

● o conhecimento apenas parcial de rituais e iniciações;

● as fugas e a formação de quilombos;

● a formação das “bandas” (grupamentos de negros e índios que “rezavam pela mesma cartilha”);

● a falta dos apetrechos rituais africanos, o que obrigou a assimilação dos apetrechos rituais dos índios;

● a utilização da sabedoria indígena no que concerne à magia do sertão e à utilização das ervas medicinais brasileiras;

● a imposição do catolicismo pelo colonizador português, o que ocasionou o sincretismo dos orixás com os santos da igreja católica.

Dessas duas etapas, a Umbanda herdou, basicamente, o culto a alguns orixás, a utilização dos atabaques como instrumento ritual e o uso de plantas e ervas medicinais brasileiras.

Terceira etapa: influência espírita de 1888 em diante

O espiritismo chegou ao Brasil por volta de 1873 e contribuiu para a formação da religião umbandista com sua doutrina explicativa dos fenômenos mediúnicos, do carma, da reencarnação, do conceito de espírito-guia e da evangelização da religião através de O evangelho segundo o espiritismo, de Allan Kardec.

Quarta etapa: ocultismo e filosofia oriental

O ocultismo chegou ao Brasil em torno de 1930 e, entre outras coisas, legou à Umbanda a utilização da vibração dos metais, das pedras preciosas e semipreciosas e da numerologia. Finalmente, temos a influência da filosofia oriental no que diz respeito à aura, aos chacras, às imantações e ao reforço dos conceitos de carma e reencarnação, que já haviam sido adotados por meio do espiritismo. A influência oriental é quase um retorno às origens, uma vez que as grandes religiões modernas têm sua origem no Oriente, principalmente no antigo Egito, no Tibete e na Índia, berços do profundo conhecimento religioso e filosófico oriental.

Fecha-se o círculo e surge a Umbanda, produto de concepções religiosas de muitos povos e nações, orientada pelos planos espirituais superiores e que visa o bem-estar físico, mental e espiritual dos seus filhos e daqueles que a procuram.

A Umbanda é, portanto, o produto de uma evolução religiosa. Suas origens encontram-se nas filosofias orientais, fontes de todos os cultos do mundo civilizado. E a sua implantação em nossa terra deu-se com a fusão das práticas, dos conceitos e das crenças do negro, do branco e do índio. Toda essa complexa mistura, que o leigo chama de baixo espiritismo, “macumba” e magia negra, era a situação existente quando surgiu um vigoroso movimento de luz, ordenado dos planos espirituais superiores e realizado por espíritos que se apresentavam como caboclos, pretos velhos e crianças. Umbanda, termo que eles implantaram para servir de bandeira a essa poderosa corrente, é sagrado e significa, num sentido mais profundo, o conjunto das leis de Deus.

Muitas pessoas perguntam por que as entidades se apresentam sob as formas de caboclos, pretos velhos e crianças. Mas, se observarmos bem, veremos que esses são tipos de fácil identificação popular, representando as faixas etárias do homem e os modelos de comportamento, como nos mostra o quadro a seguir.

Tipos

Faixa etária

Comportamento

Pretos velhos

Velhice

Prudência e humildade

Caboclos

Adulto

Vigor e pujança

Crianças

Infância

Inocência e pureza

Trabalham também na Umbanda entidades em evolução denominadas exus e pombagiras. Mal compreendidas e mal interpretadas pela maioria dos não-umbandistas, atuam no plano astral defendendo-nos de obsessores (espíritos em grande atraso espiritual) e de trabalhos de magia negra. São eles também os responsáveis pelas vibrações relativas à parte material de nossa vida e a quem recorremos em casos de vibrações mais “terra-a-terra”. São a nossa guarda, a nossa defesa contra vibrações negativas; são entidades de luz que, no seu trabalho de evolução espiritual, descem até as mais baixas regiões do plano astral para nos defender e guardar com suas vibrações altamente positivas. Aqueles que confundem essas entidades de luz – exus e pombagiras – com quiumbas e obsessores que aceitam matança de animais para prejudicar alguém demonstram apenas total ignorância espiritual.

 

 

ÉPOCA EM QUE SURGIU A UMBANDA NO NOSSO PAÍS

   

Em fins de 1908, uma família tradicional de Neves, Niterói, RJ, foi surpreendida por uma ocorrência que tomou aspecto sobrenatural: o jovem Zélio Fernandino de Moraes, acometido de estranha paralisia, a qual os médicos não conseguiam debelar de forma alguma, certo dia ergueu-se do leito e declarou: “amanhã estarei curado”. No dia seguinte levantou-se normalmente e começou a andar como se nada antes lhe tivesse tolhido os movimentos. Contava com apenas 17 anos e destinava-se à carreira militar da Marinha. A medicina não soube explicar o que havia ocorrido. Os tios, que eram padres católicos, foram colhidos de surpresa e nada esclareceram sobre a misteriosa ocorrência. Um amigo da família sugeriu, então, uma visita à Federação Espírita de Niterói, presidida por José de Souza, na época.

No dia 15 de novembro de 1908, o jovem Zélio foi convidado a participar de uma sessão, e o dirigente dos trabalhos determinou que ele ocupasse um lugar à mesa. Tomado por uma força estranha e superior à sua vontade, contrariando as normas que impediam o afastamento de qualquer dos componentes da mesa, o jovem Zélio levantou-se e disse: “Aqui está faltando uma flor”, e retirou-se da sala. Pouco depois voltou trazendo uma rosa, que depositou no centro da mesa. Essa atitude insólita causou quase um tumulto.

Restabelecida a corrente, manifestaram-se espíritos que diziam ser de pretos escravos e de índios ou caboclos em diversos médiuns. Esses espíritos foram convidados a se retirar pelo presidente dos trabalhos, advertidos do seu estado de atraso espiritual.

Foi então que, novamente, uma força estranha dominou o jovem Zélio e o fez falar sem saber o que dizia (de acordo com o depoimento do próprio Zélio à revista Seleções de Umbanda, em 1975).

Zélio ouvia apenas a própria voz perguntando o que levava os dirigentes dos trabalhos a não aceitarem a comunicação daqueles espíritos e por que motivo eram considerados atrasados: a de cor da pele (negros e caboclos) ou a classe social (escravos e índios) que revelaram ter tido na última encarnação.

Seguiu-se um diálogo acalorado e os responsáveis pela mesa procuraram doutrinar e afastar o espírito desconhecido que estaria incorporado em Zélio e desenvolvia uma argumentação segura.

Um dos médiuns videntes perguntou, afinal: “Por que o irmão fala nesses termos pretendendo que essa mesa aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram quando encarnados, são claramente atrasados? E qual é o seu nome, irmão?”. Ainda tomado pela força misteriosa, Respondeu Zélio: “Se julgam atrasados esses espíritos dos pretos e dos índios, devo dizer que amanhã estarei em casa desse aparelho (o médium Zélio) para dar início a um culto em que esses pretos e esses índios poderão dar sua mensagem e, assim, cumprir a missão que o plano espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados ou desencarnados. E, se quiserem saber o meu nome, que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque não haverá caminhos fechados para mim”. “Julga o irmão que alguém irá assistir ao seu culto?”, perguntou com ironia o médium vidente, ao que o Caboclo das Sete Encruzilhadas respondeu: “Cada colina de Niterói atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei”.

Zélio de Moraes contou que, no dia 16 de novembro, ocorreu o seguinte: “Minha família estava apavorada. Eu mesmo não sabia o que se passava comigo. Surpreendia-me haver dialogado com aqueles austeros senhores de cabeça branca, em volta da mesa onde se praticava um trabalho para mim desconhecido. Como poderia, aos 17 anos, organizar um culto? No entanto eu mesmo falara, sem saber o que dizia e por que dizia. Era uma sensação estranha, uma força superior que me impelia a fazer e a dizer o que nem sequer passava pelo meu pensamento. E no dia seguinte, em casa de minha família, na rua Floriano Peixoto, número 30, em Neves, ao se aproximar a hora marcada – 20 horas –, já se reuniam os membros da Federação Espírita, seguramente para comprovar a veracidade do que fora declarado na véspera, os parentes mais chegados, amigos, vizinhos e, do lado de fora, grande número de desconhecidos”.

Às 20 horas manifestou-se o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Declarou que se iniciava, naquele momento, um novo culto em que os espíritos de velhos africanos, que haviam servido como escravos e que, desencarnados, não encontravam campo de ação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas quase exclusivamente para trabalhos de feitiçaria, e os índios nativos de nossa terra poderiam trabalhar em benefício dos seus irmãos encarnados, quaisquer que fossem a cor, a raça, o credo e a condição social. A prática da caridade, no sentido do amor fraterno, seria a característica desse culto, que teria por base o Evangelho de Cristo e, como mestre supremo, Jesus. Deu, também, o nome desse movimento que se iniciava. Disse primeiro allabanda (ou um dos presentes assim anotou), mas, considerando que não soava bem a sua vibratória, substituiu-o por aumbanda, ou seja, umbanda, palavra de origem sânscrita que se pode traduzir por “Deus ao nosso lado” ou “o lado de Deus”.

Muito provavelmente ficou o nome umbanda, e não aumbanda, porque alguém anotou a palavra separadamente (a umbanda). Sobre o assunto diz Ramatis, no livro A missão do espiritismo: “A palavra AUM é de alta significação espiritual, consagrada pelos mestres; BANDHÃ, em sua expressão mística iniciática, significa movimento incessante, força centrípeta emanada do Criador. A palavra AUMBANDHÃ, pronunciada na forma de um mantra, aproxima-se melhor da sonorização OMBANDA, sendo ajustada à doutrina de Umbanda praticada no Brasil”.

Voltemos ao relato de Zélio: “A casa de trabalhos espirituais que no momento se fundava recebeu o nome de Nossa Senhora da Piedade, porque, assim como Maria acolheu o Filho nos braços, também seriam acolhidos como filhos todos os que necessitassem de ajuda e de conforto. Ditadas as bases do culto, o caboclo passou à parte prática dos trabalhos, curando enfermos. Antes do final da sessão, manifestou-se um preto velho, Pai Antônio, que vinha completar as curas”.

Nos dias seguintes, verdadeira romaria se formou na casa de Zélio. Enfermos vinham em busca de cura e ali a encontravam em nome de Jesus. Médiuns, cujas manifestações haviam sido consideradas loucura, deixaram sanatórios e deram provas de suas excelentes qualidades mediúnicas. Estava criada a Umbanda no Brasil.

Em 1935 estavam fundados os sete templos idealizados pelo caboclo das Sete Encruzilhadas, coroando de êxito o que nos parece ter sido um dos movimentos, entre outros semelhantes e não registrados, mais importantes da criação da Umbanda no Brasil.

Zélio desencarnou em outubro de 1975, aos 84 anos de idade. De seu trabalho resultou a Umbanda de hoje, que abrange cerca de 30 milhões de adeptos, segundo estimativas apresentadas no 2o Festival Mundial de Artes Negras, realizado em Lagos, na Nigéria, pelo professor René Ribeiro, da Universidade Federal de Pernambuco, que demonstrou, com base em dados do IBGE, que a Umbanda é a religião que mais cresce no Brasil.